quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


E agora…………………….
 
A angústia é algo difícil de perceber, algo difícil de explicar, e muito mais difícil de sentir…

Na minha infância cheguei a ter alguns episódios que eu gostava de lhes chamar “espirituais”, se calhar para me auto-proteger… se calhar para que não me vissem como “maluca”… se calhar… nem sei bem porquê!

Foi numa altura de grandes mudanças na minha juventude… estava a passar a fase estúpida de deixar de ser criança e passara a ser uma adolescente. Foi nessa altura que comecei a ouvir vozes. A maior parte delas a chamarem por mim, pelo meu nome… lá longe como que em sussurro eu ouvia o meu nome “margarida!”… no inicio era assustador! Mas comecei a tentar abstrair-me disso e a pensar que fora eu a confundir algum ruído de fundo com o chamamento.

Foram se passando alguns episódios. Até que culminou num ainda mais aterrador! Vinha a sair da escola, de regresso ao escritório e senti tocarem-me no ombro esquerdo e a dizerem “Margarida…” como se quisessem iniciar uma conversa. Olho e vejo o rosto de um homem. Deveria andar na casa dos 40 anos, rondava o metro e setenta centímetros de altura e no seu rosto perdido no meio da pêra e bigode rentes tinha um olhar perdido… Fiquei aterrorizada, pestanejei umas vezes seguidas e apercebi-me de que afinal não estava lá ninguém. O desespero foi tal que apressei o meu passo e só queria chegar ao meu destino.

Apesar de ter relatado o acontecido, ninguém deu valor e eu própria também não o queria dar. Mas era mais forte do que eu. Dias e dias seguidos a pensar nisso… até que as visões foram passando. Por vezes lá vinha mais uma mas foram-se tornando cada vez mais espaçadas.

Anos depois e devido a outras situações, voltei a ter uma ou outra visão. Mas com menor clareza. Comentei com a minha psicóloga ao que me explicou poder ter-se tratado de “esquizofrenia juvenil”. Fiquei de certa forma admirada… mas, mais uma vez não tentei valorizar a situação.

O que é certo é que ando numa fase mais sensível e há certos assuntos, atitudes, momentos que me deixam mais fragilizada… e foi o que me aconteceu estes dias e me anda a abalar muito.

Num destes domingos estava sossegada no sofá a ver um dos meus filmes preferidos “Uma mente brilhante”, filme este que relata a vida de um doente de esquizofrenia… chorei, chorei, chorei… via o filme e pensava que não era assim que eu me queria tornar… o medo surgiu… desde então não penso noutra coisa. Isto não me faz nada bem, passados quatro dias durante a noite tive um ataque de ansiedade… andei todo o dia mal, com os olhos sempre a espirrar. Não sei o que fazer…

Será que sou uma pessoa provável a ter esquizofrenia…

Tenho medo… muito medo.
Até Breve
dream
mmpamota

Sem comentários:

Enviar um comentário